Críticas

Sobre "O livro dos amores"



(Vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura e do Prêmio Paulo Sérgio Gusmão)

Jaime Vaz Brasil é um fenômeno poético no meio de tanta banalidade apresentada como poesia. Palavra é som, música, mágica por si, mas torna-se universal quando é a componente de expressão criadora a ser comunicada aos semelhantes. Aliás criação é algo misterioso, sabe-se lá qual o acúmulo consciente e inconsciente da experiência vivida e de segredos ancestrais ocultos no universo do cérebro que levam alguém como ele a usar a palavra para transmitir o que às vezes nem se sabe bem o que é. Mas é de beleza que se trata.

Tudo isso me ocorre devido a emoção causada pela leitura de `Livro dos Amores`. Elas se abriram para o autor e, agora, é segredo coletivo. Ainda bem. Jaime é poeta - ponto final. E iss não se pode dizer sem que a realidade o confirme - e neste casoela o faz. Não sei se o que digo é o que ele merece, mas, creiam, é um preito honesto de quem ama a poesia quando a encontra. E encontrei em Jaime Vaz Brasil.

Ivan Pedro de Martins

Uno podia suponer que sobre el amor, tema fundamental de poesía desde siempre, ya no cabia esperar un canto original. Pero aqui está este libro de Jaime. Con la sencillez de las grandes milongas, pero con esa plenitud que sólo otorga uns instinto poético en verdad profundo, medular, Jaime Vaz Brasil conjuga los ingredientes de su homenage al amor: la ternura, el dolor, el goce, la contradicción, la perplexidad, y se desplaza con todos ellos por la ora con una libertad de perspectivas que vá desde el estremecimiento existencial a lo lúdico. Creo que en `Memorias del Subsuelo` el tributo alcança su intensidad más comovedora, tal vez por haber sido labrado allí desde la pura pérdida. Letras que ya conocíamos hermanadas con la música de Ricardo Freire e Pery Souza cierram una colección memorable. `Livro dos Amores` me parece un lujo para cualquer biblioteca, un lujo de excente poesía.

José Gabriel Ceballos


Leio (e curto) poesia. Raramente (há uma espécie de bloqueio) escrevo sobre poesia. Mas tenho faro para o que é válido. Foi o que o que ocorreu quando recebi `Os Olhos de Borges`, que li e reli com crescente encantamento. O mesmo posso afirmar dos outros livros do autor. Será que é imaginação ou senti mesmo um longínquo eco do Quintana? Agora, à medida que fui lendo os originais do `Livro dos Amores`, mais me deixei levar pela funda sensibilidade do texto, pela precisão do Jaime no dizer. Ele trabalha, com renovada emoção, um tema tão velho e sempre tão novo: o amor. Que impregna todas as páginas do livro. Em nenhum momento existe um `verso mal escrito`, como diz o poeta em `O Amor em Preâmbulo`. Pelo contrário. É tudo pertinente, profundo na estruturação do verso, que coleia e se funde ao seguinte de forma harmoniosa. Estamos, sem dúvida, diante de autêntico poeta, que veio para ficar.

Salim Miguel


Do coração, se se vai falar de poesia. Ainda mais, se lírica. Aliás, nesses tempos em que a violência foi alçada à condição estética, só se deveria fazer - e ler - poesia lírica. Como esta de Jaime Vaz Brasil, cujos versos desmancham-se na boca, pitangas maduras, solares, sensuais. Leio e releio `Livro dos Amores` e deste retângulo mágico, não cessam de saltar sonoridades insuspeitadas, ritmos harmoniosos e sentidos encobertos.

Charles Kiefer


Insisto em apontar o modo hábil com que Jaime Vaz Brasil constrói seu código poético. A facilidade com que verseja, criando imagens e dispondo-as na superfície do verso, dissimula uma fabulação poética que vive da tensão entre a temática tradicional e o impulso de expressar as inquietudes e as angústias deste fim de século e milênio. E isto, sem dúvida, consagra sua poesia como marca e heterogeneidade e diferença.

Lea Masina


Jaime Vaz Brasil é desses poetas que têm o dom de remeter-nos a um espaço e a um tempo de mistérios e luzes. Desvelando o que era oculto, iluminando as sombras do inconsciente, ele desempenha a função mágica da poesia. Neste livro, em particular, vemos o quanto o sentimento amoroso pode ultrapassar a metáfora e insinuar-se como algo palpável (e desejável). Trabalhando com tantas ambigüidades que o jogo erótico pode proporcionar, Jaime obtém aquela necessária adesão do leitor, que se sente atraído pelo fluxo e refluxo dos contatos humanos: aqui estão as dúvidas, as incertezas, as certezas transitórias; enfim, aqui estão todas as vacilações (e exaltações) que todos nós sentimos, mas que exigem um poeta de porte para nos dizer. Dialogando com seus mestres confessos, nosso autor estabelece um clima de intensa troca literária, a demonstrar que a maturidade é isso: é saber que fazemos parte de uma cadeia que já existe há milênios, e que a poesia pertence ao patrimônio geral da espécie. Em `Os Olhos de Borges` a homenagem ao bruxo de Buenos Aires era explícita desde o título; agora, em `Livro dos Amores`, o leque de poetas se amplia e o leitor inteligente saberá descobri-los. Isso nos diz, de outra parte, o quanto Jaime Vaz Brasil obteve o necessário tino para, trocando palavras com seus antecessores, manter-se ele próprio. O que mais poderíamos querer? Recomendo, pois, a leitura. E, se possível, recomendo decorar alguns dos poemas, para lembrar-se de que a poesia quando bem realizada como esta ainda é a forma mais sensível de expressão dos afetos".

Luiz Antonio de Assis Brasil

Jaime Vaz Brasil, cidadão da poesia e do pampa, tem uma linguagem musical, contida, simples, despojada, com a redonda exatidão do silêncio. Mas que explode no leitor, explode trazendo consigo a mágica de um entranhado sentimento do mundo.

Mantém o tom coloquial, com sotaque pessoalíssimo (apesar de suas afinidades: Borges, Quintana, Cabral, Pessoa...), usando com maestria o verso curto, em regra de sete sílabas.
Seu processo mais trivial - é o rima puxa rima, com sua roda de sentidos, por vezes, inesperados. No verso-livre, as imagens puxam imagens. Lembro este diamante:

"O dia:
patas de lebre".

Falei em imagens e elas são borboletas que voejam da gaveta de premissas, dobras que o poeta abre no poema. E ele é o cotidiano: centro de indizível batalha entre luz escuridão. Onde a poesia brota fontes obscuras, com o amor, a amada, criaturas e objetos que ocupam espaço habitável no percurso da línga para a linguagem.

"Mapa não é território. Planta não é casa". Tem razão o poeta. Porque as coisas vigem dentro das coisas. E a poesia de Jaime Vaz Brasil não se contenta em ver, postula o agir e o mudar. Ergue-se entre o "Estado de Pedra e Pluma", a gravidade e a leveza. Ou como dizia Simone Weil, em A Gravidade e a Graça, "o amor não nos consola, o amor é a luz".

Esta poesia toma a forma de canção em surdina, mansuetude, revelando serenidade, sedução e dom de entrar em alma. E entra inocente, tal um menino com grande balão azul entre os dedos. Não procura a metafísica, nem dramatiza a experiência e os sonhos.

É verdade que Bechelard quando trata do espaço, quer que a imaginação seja viagem e o devaneio, dinâmico. "Mas não é um estado, é a própria existência humana" (Blake). E esta poesia é viagem entre a imaginação e o amor. E não é a viagem, essência do próprio amor, entre levidade e fogo?

Sim, um criador que escreve estes versos:

"Amor posso morrer esta noite.
Depois do que mostraste, posso morrer,
estou pronto" (...) Ou:

"Amor que talvez nos viva
em grão de espuma, constrito

e esconda o rosto por dentro
do verso ainda não escrito". Ou:

"Resvala no próprio corpo
de tão por dentro que anda". (...)

Sim. Quem os escreveu não é só um poeta a mais. É alguém que tem luz nas mãos. E cumprirá seu destino, inalienável, de caminhar para dentro da palavra. E sei que está cheio de pampa, porque está repleto de universo.

Carlos Nejar


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